Qua, 31 de Dezembro de 2014

Lakanje

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Ogun era um temido guerreiro que sempre viaja em busca de novas cidades. Ele viajava por meses e tudo que ele conquistava ele entregava para o seu Pai. Em uma dessas viagens, Ogun retornou com sete mulheres, uma delas era de uma beleza sem igual, uma mulher linda que encantava, o seu nome era Lakanje.

Essa mulher era tão bela, tão fascinante que Ogun resolveu não apresentá-la ao seu Pai, Oduduwa, o grande senhor de Ifé. No entanto, algumas pessoas foram ao grande Rei de Ifé, lhe comunicar, que seu filho, Ogun, estava escondendo dele uma mulher que ele havia trazido da última viagem.

Ao receber a notícia, Oduduwa imediatamente mandou chamar Ogun. Furioso, questionava o filho sobre a mulher que ele havia trazido e que estava escondendo de todos e, principalmente dele, o seu Pai.

Ogun, com medo do seu Pai, a única pessoa que ele verdadeiramente temia e respeitava, trouxe a bela Lakanje para apresentar ao seu Pai, mas não avisou que ele Ogun, já tinha afeto por ela e que já estavam se relacionando.

Oduduwa ao ver a beleza de Lankanje imediatamente a tomou como sua esposa, que ficou grávida. Decorridos nove meses, Lakanje teve um filho. Quando a criança nasceu todos ficaram espantados, pois a criança era metade negra e metade branca. Na verdade, essa criança era filho de Ogun e Oduduwa, Ogun negro e Oduduwa branco.

Essa criança foi educada pelos dois, Oduduwa e Ogun, aprendendo com ambos os mistérios da vida e dominando a arte da Guerra. Essa criança era Oraniyan, que anos depois tornou-se um guerreiro valente, tornando-se o fundador do reino de Oyo. Oraniyan é filho de dois pais e carrega em si, as características de ambos.

Que Osumare Araka Continue Olhando e Abençoando Todos!!!

Casa de Osumare

Qua, 31 de Dezembro de 2014

Tabus

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Uma antiga história yorùbá conta que Orunmilá casou-se com Iwa (Caráter) a filha de Suuru (Paciência), ele foi advertido que havia um tabu que deveria ser seguido, ele foi advertido que Iwa, jamais poderia ser mandada embora de casa, esse era o tabu. Ele foi advertido que Iwa, em hipótese alguma, poderia ser desnecessariamente punida, envergonhada ou humilhada.

Orunmilá disse que Olodunmare jamais o deixaria fazer algo assim, que ele jamais iria quebrar o tabu, que ele seria um exemplo, que trataria Iwa com respeito, carinho e dedicação.

Por alguns anos, eles viveram de forma muito feliz e harmoniosa, entretanto, decorrido mais algum tempo, Orunmilá começou a queixar-se de Iwa. Sempre apontava algo de errado que, supostamente Iwa havia feito.

Diante de tantas acusações, por motivos tolos, desnecessários, Iwa resolveu partir para a casa do seu Pai (Suuru – Paciência). Quando Orunmilá saiu, Iwa pegou suas coisas e foi para a casa do seu Pai.

Quando Orunmilá retornou, Iwa não estava mais lá. Ele procurou Iwa, mas o seu pai Suuru, orientou aos familiares que dissessem que não haviam a visto.

Como não encontrou Iwa, ele consultou o oráculo sagrado, descobrindo que Iwa havia fugido de casa. Ele foi orientado que ele deveria procurar por Iwa na casa de Alara. Ele perguntou a Alara sobre sua esposa. Alara disse que não havia visto sua esposa. Ele então procurou na casa de Orangun, um importante rei Yorùbá da cidade de Ilá. Mas Orangun também disse que não havia visto Iwa, que não sabia onde ela estava. Orunmilá procurou Iwa por muito, muito tempo...

Como não encontrava, ele novamente consultou o oráculo sagrado. Ele foi informado que ele havia visto Iwa na casa de Alara, que ele viu Iwa na casa de Orangun. Que ele viu Iwa na casa de Ajero. Que ele viu Iwa na casa do Alaafin. O oráculo, por fim, informou que Iwá havia partido para o Orun, para a casa do seu Pai, Suuru. Orunmilá disse que queria trazer Iwa novamente para a sua casa. Ele foi orientado a realizar um sacrifício.

Ele foi orientado a ofertar mel para Èsù, esse era o sacrifício. Quando Èsù provou o mel, indagou o que era aquilo, tão gostoso, tão doce. Orunmilá disse que se tratava do mel.

Ele foi orientado a usar as roupas dos ancestrais e com elas, seguir para o Orun à busca de Iwa. Èsù foi encontrar Iwa, ele disse para Iwa que um homem havia chegado no céu e que havia visto Iwa. Iwa, então, saiu de onde estava escondida na casa de Suuru.

Iwa ao sair, se deparou com alguém vestido com as roupas dos ancestrais. Ao lhe abraçar, ela viu que, na verdade era seu marido, Orunmilá. Ele se apresentou, revelou sua identidade ao abrir a roupa.

Orunmilá perguntou, porque Iwa havia feito aquilo com ele, porque ela saiu de casa, porque ela ficou todo esse tempo escondida, porque ela não se mostrou para ele na casa de Alara, na casa de Orangun.

Iwa disse que havia sido maltratada e que ele havia sido advertido sobre o tabu. Orunmilá refletiu, lembrou-se das orientações e pediu para Iwa ter paciência, que tudo voltaria ao normal, pedindo para ela retornar para casa.

Iwa disse que não retornaria. Ela disse que ele deveria seguir as interdições, os tabus que haviam lhe sido orientado a seguir. Ele disse que seguiria os tabus, que teria caráter. Ela disse que não retornaria, que ele cuidasse de seus filhos, de sua família, de suas esposas e que ele deveria seguir as interdições. Ela lhe disse que, seguir ou não as interdições, seguir seria o que determinaria se sua vida seria ou não ordenada. Não que quebrar os tabus lhe trariam benefícios, ordem em sua vida, por outro lado, quebrar os tabus, ignorar as interdições traria desordem para a sua vida.

Que Osumare Araka continue olhando e abençoando todos!

Casa de Osumare

Qua, 31 de Dezembro de 2014

paciência

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Uma antiga história yorùbá narra que Gunungun (o abutre) era uma ave com muita saúde, no entanto, da noite para o dia, ele começou a ficar fraco, muito frágil, com a aparência muito pálida. Diante do estado em que se encontrava, Gunungun foi até Olodunmare, para saber o que estava acontecendo. Olodunmare recomendou que Gunungun fosse à terra, pois aqui ele encontraria a cura para tudo o que estava acontecendo com ele. Gunungun fez conforme Olodunmare recomendou...

Orunmila, o Deus do oráculo sagrado, vivia na terra, com suas duas mulheres. Mas ele era pobre. A vida de Orunmila não estava sendo fácil, ele encontrava diariamente, muitas dificuldades. Ele consultou o oráculo, para saber o que fazer. O oráculo lhe disse que, ele faria um favor para uma pessoa muito importante. Ele foi informado que essa pessoa lhe traria felicidades. Orunmilá foi orientado a realizar alguns sacrifícios, em algumas encruzilhadas, para que tudo acontecesse de forma satisfatória.

Quando Gunungun chegou na terra, ele encontrou as oferendas de Orunmilá nas encruzilhadas. Èsù que estava nas encruzilhadas, disse que Gunungun podia comer aquelas oferendas, assim ele fez. Logo após ele se saciar, ele ficou bom de tudo o que estava sentindo. Gunungun então, perguntou à Èsù, quem havia depositado aquelas oferendas. Ele respondeu que havia sido Orunmila. Diante da cura, Gunungun queria recompensar Orunmila e perguntou para Olodunmare o que deveria fazer. Olodunmare presenteou Gunungun com Crianças, Riqueza, Paciência e Longevidade. No entanto, Olodunmare disse para Gunungun que Orunmila só poderia escolher um dos presentes e que Gunungun deveria retornar ao Orun com os três restantes.

Gunungun foi até Orunmilá e disse a história, que ele havia ficado bom graças as oferendas que ele havia feito e que tinha quatro presentes, mas que ele só poderia escolher um. Orunmilá chamou suas duas esposas para escolher com ele.

Uma das esposas escolheu a riqueza, a outra escolheu as crianças. Orunmila perguntou ainda a um amigo o que deveria escolher, esse lhe respondeu que a Longevidade. Orunmilá questionou os seus seguidores, que após consulta, orientaram Orunmila escolher a paciência, pois aquele que tudo começou no mundo teve paciência. Orunmilá agradeceu todos, mas seguiu o Oráculo e escolheu a paciência.

Mas, as mulheres de Orunmilá não ficaram satisfeitas e começaram a brigar, mas Orunmilá quando indagado por elas, sempre respondia: "Aquele que tudo começou no mundo teve paciência". Gunungun voltou para o céu com os demais presentes. Com o tempo, riqueza ficou cansada de viver no céu sem paciência. Riqueza, então, pediu para Olodunmare para ir ao Aye, viver na casa de Orunmila para ficar junto de paciência. Depois de algum tempo, isso aconteceu com Crianças e mais adiante com Longevidade.

Decorrido alguns meses, as mulheres de Orunmila possuíam muitos filhos, Orunmilá possuía riquezas e tornou-se um homem com muita longevidade e, sobretudo, um homem com muita paciência, que soube fazer a escolha certa e que soube aguardar o tempo certo para que tudo de bom lhe acontecesse.

Que Osumare Araka Continue Olhando e Abençoando Todos!

Casa de Osumare

Qua, 31 de Dezembro de 2014

A chuva Abençoou Orunmila

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Uma antiga história yorùbá versa que quando Orunmila estava retornando ao mundo, ele consultou o oráculo para saber como proceder e ter sucesso no Aye. Ele foi recomendado a realizar oferendas para Èsù e para Olokun. Ele foi orientando, ainda, que não se assustasse com os obstáculos do caminho ao aye, pois ele teria êxito. Orunmila seguiu todas as orientações conforme lhe foi prescrito.

Os Irunmole também resolverem visitar o aye, para saber como as pessoas estavam vivendo por aqui, mas nenhum Irunmole consultou o oráculo, como fez Orunmila. Quando as divindades estavam saindo do orun para o aye, eles encontraram duas belas mulheres, eram Aje (Ajê) e Oja. Nesse momento, uma torrencial e assustadora chuva começou a cair, fazendo com que todas as Divindades desistissem da jornada rumo ao Aye, menos Orunmila, Aje e Oja.

Aje e Oja ficaram encantadas por Orunmila, sendo que ele foi o único que não teve medo da grande tempestade que fez os outros desistir. Eles caminharam por dias, mesmo com toda a chuva que os acometia.

Eles chegaram ao Aye totalmente sujos em decorrência da forte chuva. Suas roupas estavam todas manchadas, com uma péssima aparência.

Ao chegar no Aye, Orunmila foi rapidamente identificado. Os seus admiradores imediatamente presenteou ele, Aje e Ojá com novas roupas, brancas e muito limpas. Orunmila, Aje e Oja aceitaram os presentes e trocaram de roupa, ganhando um novo aspecto.

De volta ao Aye, Orunmila retomou suas consultas, conquistando muitos e muitos seguidores, mas ainda não era um homem rico. Quando ele finalmente conseguiu juntar uma quantia financeira, ele se casou com as duas belas mulheres que havia viajado com ele, Aje e Oja.

Logo após o casamento, Aje e Oja convenceram Orunmilá a construir um pequeno comercio, para que elas tomassem conta. Assim Orunmila fez.

Como as outras Divindades ainda não haviam retornado ao Aye, todos procuravam por Orunmilá. A cada dia que se passava ele se tornava mais próspero. Não muito tempo depois, o pequeno comércio começou a crescer e tornou-se um grande mercado.

Quando ele, Aje e Ojá já estavam ricos, as demais Divindades também chegaram para cada uma também conquistar seus seguidores e sucesso no Aye.

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Casa de Osumare!

Qua, 31 de Dezembro de 2014

Ejiogbe é invejado

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Uma história yorùbá conta que Ejiogbe vivia no Aye e era um homem muito admirado por ajudar todos os que procuravam. As benfeitorias de Ejiogbe se espalhavam entre a população do mundo que a cada dia que passava, o procurava ainda mais para resolver seus problemas. Entretanto, muitas Divindades não estavam gostando daquele cenário, pois Ejiogbe ajudava a todos, em troco de nada. Insatisfeitos, eles foram se queixar a Olodunmare.

Face as reclamações que lhe foram relatadas, Olodunmare determinou que um dos seus representantes de confiança, partisse do Orun rumo ao Aye, com o objetivo de trazer Ejiogbe para se explicar, mas pediu que ele fizesse isso sem que Ejiogbe soubesse que ele era um dos homens de confiança de dele.

O representante de Olodunmare saiu do Orun como se fosse um maltrapilho a caminho do Aye. Ao chegar ele foi diretamente para a casa de Ejiogbe. Ele chegou ainda cedo, na alvorada, batendo na porta de Ejiogbe.

Ejiogbe perguntou o que aquele homem queria tão cedo. Ele disse que precisava de um emprego e sabia que Ejiogbe poderia lhe empregar. No entanto, Ejiogbe disse que não tinha dinheiro para pagar e, por isso, não podia empregar o desconhecido, mas o convidou para fazer o desjejum.

O representante de Olodunmare, disse que não estava à altura de Ejiogbe para comer junto com ele e disse: "Sr. não me sinto confortável em comer com você, mas me contentarei em comer as sobras do seu desjejum". Nessa hora, outra pessoa bateu na porta de Ejiogbe, pedindo que ele ajudasse um homem que estava a beira da morte. Prontamente Ejiogbe foi resolver a questão, conseguindo salvar a pessoa. Feito isso, Ejiogbe chamou o pedinte para o desjejum, mas outra pessoa o parou, pedindo ajuda para uma mulher que estava prestes a perder o seu filho. Ejiogbe, novamente, atendeu prontamente o pedido. Esse caso foi mais complexo, demandando horas do empenho de Ejiogbe. Quando ele finalmente conseguiu salvar a mulher grávida e o filho, ele chamou o desconhecido e disse: "Me desculpe, não conseguimos fazer o desjejum, mas vamos retornar à minha casa para que possamos almoçar, mas como lhe disse, não tenho um emprego para você".

Ao chegar na casa de Ejiogbe, muitas pessoas estavam lá, esperando por ele, que atendeu todos, para somente depois comer com o desconhecido. Quando finalmente parou, já era noite. O desconhecido, então, se revelou, dizendo que era um representante de Olodunmare e que ele o chamava ao Orun. Ejiogbe acatou e foi ao Orun com o representante de Olodunmare.

Ao chegar, Olodunmare perguntou o que Ejiogbe estava fazendo no aye que tantas Divindades estavam reclamando de sua postura. Antes mesmo de Ejiogbe pensar em responder, o mensageiro de Olodunmare pediu para falar:

"Olodunmare, passei todo o dia de hoje ao lado de Ejiogbe. Ele não sabia quem eu era, mas mesmo assim, me tratou com dignidade, sendo que me apresentei como um maltrapilho. Esse homem é tão bom para o Aye, que sequer consegue parar para comer. Ainda pela manhã ele socorreu um homem, em seguida salvou uma mulher grávida e seu filho. Quando retornou para casa para comer, uma dezena de pessoas pedia a sua ajuda e todas foram atendidas. Ele é um verdadeiro representante de Olodunmare, àqueles que reclamam dele, o faz por inveja".

Olodunmare ouviu tudo atentamente e ordenou que Ejiogbe voltasse para o Orun, mas que, independente do que ele fizesse e para quem ele fizesse, ele sempre deveria cobra ainda que mínima, uma quantia para ajudar no seu próprio sustento. Assim Ejiogbe fez...

Que Osumare Araka Continue Olhando e Abençoando Todos!