Seg, 16 de Fevereiro de 2015

cuidados para o carnaval

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Meus filhos, filhas e familiares, peço que aproveitem os dias de feriado que chegam com o carnaval, com total responsabilidade, divirtam-se. Para que isso aconteça, é muito importante que todos os adeptos e simpatizantes das religiões de matriz africana, se resguardem com o objetivo de evitar que uma grande festa como essa, não se torne um tormento. Portanto, alguns cuidados devem ser tomados.

Não esqueçam de se proteger contra as doenças sexualmente transmissíveis. No carnaval, as relações entre as pessoas são mais intensas e ocorrem muitas vezes no momento em que nem se imagina. Dessa forma USE SEMPRE o PRESERVATIVO (SEMPRE) – VAI BRINCAR O CARNAVAL? NÃO SAIA DE CASA SEM CAMISINHA!!! Além de evitar doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS, a camisinha evita uma gravidez não planejada. O Terreiro de Òsùmàrè não é contra o uso de preservativos, mas sim, contra a disseminação de doenças!!!

É importante lembrar que o corpo e a mente também são espaços sagrados, tenham disciplina com a bebida alcoólica, "beba ela mas não deixe ela te beber", quando perceber que esta perdendo a sobriedade pare! Não esqueçam em momento algum, que bebida e volante não combinam. muitas pessoas exageram na bebida e, por vezes, perdem a razão. Desse modo, evite discussões na rua, no trânsito, nos blocos – nesses dias, há muitas pessoas alteradas, então façam de tudo para evitar brigas, disputas e conflitos. Sejam valentes e guerreiros na busca do trabalho, do sucesso, da saúde, do amor e de um mundo melhor para todos. Não percam o controle no carnaval. Lembre-se que ninguém tem o poder de te ofender, ao menos que você permita ser ofendido, seja superior você é do axé, convive com a força da natureza não revide, perdoe.

Devemos todos nos manter alertas com a folclorização das religiões de matrizes africanas, cabe a nós, povo de santo, criar estratégias que impeçam que isso se naturalize ainda mais.Situações, como essas, são constrangedoras para nós do axé e demonstram total desrespeito e banalização da nossa religiosidade.O Carnaval é uma festa profana e as indumentárias dos Òrìsàs são sagradas!

Antes de sair de casa, faça uma oração, jogue três punhados de uma água fresca na rua com o objetivo de apaziguar. Há uma frase em yorùbá que diz "Somente a Água Fresca Apazigua o Calor da Terra". Quando estamos saindo de casa, jogamos água à rua, rogando à Èsù Oná (O Senhor dos Caminhos), que aquela água, apazigue os caminhos que vamos percorrer e que, sobretudo, não nos deparemos com situações que nos exponha a riscos.

Ao jogar água pronuncie as seguintes palavras:

Omi tutu

Oná titun

Mo ló mo bó

Na certeza que os Òrìsàs estarão com vocês todo o tempo.

Èsù é o Deus que guarda a nossa casa, mas nós temos que fazer nossa parte.Certifique-se que ao sair, todas as portas e janelas estão fechadas (trancadas).

Ògún é o grande Deus dos Caminhos, apesar disso, nós temos que fazer a nossa parte. Se você vai viajar, antes de sair de casa faça uma revisão no seu carro, verifique o freio, óleo, limpadores de para-brisa, extintores de incêndio.

Brinque com segurança, inteligência e alegria!!!

Bom Carnaval a Todos!

Babá Pecê

Casa de Òsùmàrè

Seg, 16 de Fevereiro de 2015

nossa pagina atinge 250 mil

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CANDOMBLÉ NÃO É UMA RELIGIÃO DE MINORIAS E SIM UMA GRANDE FORÇA QUE NÃO PARA DE CRESCER

Nossa página do Facebook atingiu a marca de 250 mil seguidores e o número vem crescendo constantemente dia após dia! O objetivo da página é extinguir estereótipos associados às religiões de matriz africana, um espaço para compreender a religião e desmistificar conceitos, um canal direto de diálogo entre a sociedade e a Casa de Òsùmàrè, lutando pela valorização da fé do povo de santo.

Também são divulgados em nossa página notícias e eventos relacionados ao tema, bem como nossa agenda religiosa.

Alcançar este número expressivo além de ser gratificante, serve de alerta para um dado importante: segundo o último censo realizado pelo IBGE em 2010 o Candomblé se apresenta como uma das religiões com menor expressividade do Brasil, seguida apenas por 0,3% da população. De acordo com a pesquisa o Candomblé conta com 572.100 adeptos. Sabemos que estes dados não correspondem à realidade, sendo que somente a família Òsùmàrè ultrapassa este número divulgado e associado a outras famílias e comunidades, este número se multiplica várias vezes.

Através deste post gostaríamos de agradecer a todos que curtem nossa página, e principalmente pedir a divulgação para podermos ampliar o poder de combate ao desrespeito com nossa religião e mostrar nosso número concreto para que possamos exigir os mesmos direitos das demais religiões no Brasil. Divulgue, compartilhe e chame nosso povo para participar da página.

https://www.facebook.com/casadeoxumare

Qua, 31 de Dezembro de 2014

Lakanje

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Ogun era um temido guerreiro que sempre viaja em busca de novas cidades. Ele viajava por meses e tudo que ele conquistava ele entregava para o seu Pai. Em uma dessas viagens, Ogun retornou com sete mulheres, uma delas era de uma beleza sem igual, uma mulher linda que encantava, o seu nome era Lakanje.

Essa mulher era tão bela, tão fascinante que Ogun resolveu não apresentá-la ao seu Pai, Oduduwa, o grande senhor de Ifé. No entanto, algumas pessoas foram ao grande Rei de Ifé, lhe comunicar, que seu filho, Ogun, estava escondendo dele uma mulher que ele havia trazido da última viagem.

Ao receber a notícia, Oduduwa imediatamente mandou chamar Ogun. Furioso, questionava o filho sobre a mulher que ele havia trazido e que estava escondendo de todos e, principalmente dele, o seu Pai.

Ogun, com medo do seu Pai, a única pessoa que ele verdadeiramente temia e respeitava, trouxe a bela Lakanje para apresentar ao seu Pai, mas não avisou que ele Ogun, já tinha afeto por ela e que já estavam se relacionando.

Oduduwa ao ver a beleza de Lankanje imediatamente a tomou como sua esposa, que ficou grávida. Decorridos nove meses, Lakanje teve um filho. Quando a criança nasceu todos ficaram espantados, pois a criança era metade negra e metade branca. Na verdade, essa criança era filho de Ogun e Oduduwa, Ogun negro e Oduduwa branco.

Essa criança foi educada pelos dois, Oduduwa e Ogun, aprendendo com ambos os mistérios da vida e dominando a arte da Guerra. Essa criança era Oraniyan, que anos depois tornou-se um guerreiro valente, tornando-se o fundador do reino de Oyo. Oraniyan é filho de dois pais e carrega em si, as características de ambos.

Que Osumare Araka Continue Olhando e Abençoando Todos!!!

Casa de Osumare

Qua, 31 de Dezembro de 2014

Tabus

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Uma antiga história yorùbá conta que Orunmilá casou-se com Iwa (Caráter) a filha de Suuru (Paciência), ele foi advertido que havia um tabu que deveria ser seguido, ele foi advertido que Iwa, jamais poderia ser mandada embora de casa, esse era o tabu. Ele foi advertido que Iwa, em hipótese alguma, poderia ser desnecessariamente punida, envergonhada ou humilhada.

Orunmilá disse que Olodunmare jamais o deixaria fazer algo assim, que ele jamais iria quebrar o tabu, que ele seria um exemplo, que trataria Iwa com respeito, carinho e dedicação.

Por alguns anos, eles viveram de forma muito feliz e harmoniosa, entretanto, decorrido mais algum tempo, Orunmilá começou a queixar-se de Iwa. Sempre apontava algo de errado que, supostamente Iwa havia feito.

Diante de tantas acusações, por motivos tolos, desnecessários, Iwa resolveu partir para a casa do seu Pai (Suuru – Paciência). Quando Orunmilá saiu, Iwa pegou suas coisas e foi para a casa do seu Pai.

Quando Orunmilá retornou, Iwa não estava mais lá. Ele procurou Iwa, mas o seu pai Suuru, orientou aos familiares que dissessem que não haviam a visto.

Como não encontrou Iwa, ele consultou o oráculo sagrado, descobrindo que Iwa havia fugido de casa. Ele foi orientado que ele deveria procurar por Iwa na casa de Alara. Ele perguntou a Alara sobre sua esposa. Alara disse que não havia visto sua esposa. Ele então procurou na casa de Orangun, um importante rei Yorùbá da cidade de Ilá. Mas Orangun também disse que não havia visto Iwa, que não sabia onde ela estava. Orunmilá procurou Iwa por muito, muito tempo...

Como não encontrava, ele novamente consultou o oráculo sagrado. Ele foi informado que ele havia visto Iwa na casa de Alara, que ele viu Iwa na casa de Orangun. Que ele viu Iwa na casa de Ajero. Que ele viu Iwa na casa do Alaafin. O oráculo, por fim, informou que Iwá havia partido para o Orun, para a casa do seu Pai, Suuru. Orunmilá disse que queria trazer Iwa novamente para a sua casa. Ele foi orientado a realizar um sacrifício.

Ele foi orientado a ofertar mel para Èsù, esse era o sacrifício. Quando Èsù provou o mel, indagou o que era aquilo, tão gostoso, tão doce. Orunmilá disse que se tratava do mel.

Ele foi orientado a usar as roupas dos ancestrais e com elas, seguir para o Orun à busca de Iwa. Èsù foi encontrar Iwa, ele disse para Iwa que um homem havia chegado no céu e que havia visto Iwa. Iwa, então, saiu de onde estava escondida na casa de Suuru.

Iwa ao sair, se deparou com alguém vestido com as roupas dos ancestrais. Ao lhe abraçar, ela viu que, na verdade era seu marido, Orunmilá. Ele se apresentou, revelou sua identidade ao abrir a roupa.

Orunmilá perguntou, porque Iwa havia feito aquilo com ele, porque ela saiu de casa, porque ela ficou todo esse tempo escondida, porque ela não se mostrou para ele na casa de Alara, na casa de Orangun.

Iwa disse que havia sido maltratada e que ele havia sido advertido sobre o tabu. Orunmilá refletiu, lembrou-se das orientações e pediu para Iwa ter paciência, que tudo voltaria ao normal, pedindo para ela retornar para casa.

Iwa disse que não retornaria. Ela disse que ele deveria seguir as interdições, os tabus que haviam lhe sido orientado a seguir. Ele disse que seguiria os tabus, que teria caráter. Ela disse que não retornaria, que ele cuidasse de seus filhos, de sua família, de suas esposas e que ele deveria seguir as interdições. Ela lhe disse que, seguir ou não as interdições, seguir seria o que determinaria se sua vida seria ou não ordenada. Não que quebrar os tabus lhe trariam benefícios, ordem em sua vida, por outro lado, quebrar os tabus, ignorar as interdições traria desordem para a sua vida.

Que Osumare Araka continue olhando e abençoando todos!

Casa de Osumare

Qua, 31 de Dezembro de 2014

paciência

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Uma antiga história yorùbá narra que Gunungun (o abutre) era uma ave com muita saúde, no entanto, da noite para o dia, ele começou a ficar fraco, muito frágil, com a aparência muito pálida. Diante do estado em que se encontrava, Gunungun foi até Olodunmare, para saber o que estava acontecendo. Olodunmare recomendou que Gunungun fosse à terra, pois aqui ele encontraria a cura para tudo o que estava acontecendo com ele. Gunungun fez conforme Olodunmare recomendou...

Orunmila, o Deus do oráculo sagrado, vivia na terra, com suas duas mulheres. Mas ele era pobre. A vida de Orunmila não estava sendo fácil, ele encontrava diariamente, muitas dificuldades. Ele consultou o oráculo, para saber o que fazer. O oráculo lhe disse que, ele faria um favor para uma pessoa muito importante. Ele foi informado que essa pessoa lhe traria felicidades. Orunmilá foi orientado a realizar alguns sacrifícios, em algumas encruzilhadas, para que tudo acontecesse de forma satisfatória.

Quando Gunungun chegou na terra, ele encontrou as oferendas de Orunmilá nas encruzilhadas. Èsù que estava nas encruzilhadas, disse que Gunungun podia comer aquelas oferendas, assim ele fez. Logo após ele se saciar, ele ficou bom de tudo o que estava sentindo. Gunungun então, perguntou à Èsù, quem havia depositado aquelas oferendas. Ele respondeu que havia sido Orunmila. Diante da cura, Gunungun queria recompensar Orunmila e perguntou para Olodunmare o que deveria fazer. Olodunmare presenteou Gunungun com Crianças, Riqueza, Paciência e Longevidade. No entanto, Olodunmare disse para Gunungun que Orunmila só poderia escolher um dos presentes e que Gunungun deveria retornar ao Orun com os três restantes.

Gunungun foi até Orunmilá e disse a história, que ele havia ficado bom graças as oferendas que ele havia feito e que tinha quatro presentes, mas que ele só poderia escolher um. Orunmilá chamou suas duas esposas para escolher com ele.

Uma das esposas escolheu a riqueza, a outra escolheu as crianças. Orunmila perguntou ainda a um amigo o que deveria escolher, esse lhe respondeu que a Longevidade. Orunmilá questionou os seus seguidores, que após consulta, orientaram Orunmila escolher a paciência, pois aquele que tudo começou no mundo teve paciência. Orunmilá agradeceu todos, mas seguiu o Oráculo e escolheu a paciência.

Mas, as mulheres de Orunmilá não ficaram satisfeitas e começaram a brigar, mas Orunmilá quando indagado por elas, sempre respondia: "Aquele que tudo começou no mundo teve paciência". Gunungun voltou para o céu com os demais presentes. Com o tempo, riqueza ficou cansada de viver no céu sem paciência. Riqueza, então, pediu para Olodunmare para ir ao Aye, viver na casa de Orunmila para ficar junto de paciência. Depois de algum tempo, isso aconteceu com Crianças e mais adiante com Longevidade.

Decorrido alguns meses, as mulheres de Orunmila possuíam muitos filhos, Orunmilá possuía riquezas e tornou-se um homem com muita longevidade e, sobretudo, um homem com muita paciência, que soube fazer a escolha certa e que soube aguardar o tempo certo para que tudo de bom lhe acontecesse.

Que Osumare Araka Continue Olhando e Abençoando Todos!

Casa de Osumare